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terça-feira, 9 de junho de 2026

abelha- rainha


Sogra vs. Nora: O que as abelhas de verdade têm a nos ensinar sobre esse "climão" familiar?

"Quem nunca ouviu uma piada de sogra? Ou aquele comentário torto de que "duas mulheres na mesma cozinha não dá certo"? O senso comum adora aplicar o famoso "Mito da Abelha Rainha" nas nossas relações familiares. É aquela velha história: a mulher mais velha (a sogra) quer dominar o território, enquanto a mais jovem (a nora) chega para "roubar" o trono e o coração do filho."
Dei um meio sorriso quando ela arregalou os olhos e exclamou ;
— Carla!
— Só continue a ler, Cleise! 
— ok...- disse , e fingiu ajeitar a manta em torno do Felipe,  antes de dizer:
— Vamos ver onde isso vai dar !
Ela se sentou na cadeira de balanço e começou o movimento de vai e vem enquanto lia :
" Mas e se a gente te contar que essa história de rivalidade feminina é uma baita farsa? E pior: que a biologia real das abelhas prova que a dinâmica de uma família deveria ser exatamente o oposto disso?
Para desconstruir esse mito e entender onde a gente errou na metáfora, vamos olhar para o que realmente acontece dentro de uma colmeia. As contradições são de cair o queixo! "
Ela parou o movimento da cadeira e , com os pés bem apoiados no chão , aproximou os olhos do texto :
— Contradição 1: Quem manda no pedaço? (Spoiler: Ninguém manda sozinha!)
A gente cresce achando que a "mãe da casa" é uma abelha rainha autoritária, que dita todas as regras e não aceita os costumes que a nora traz de fora."
Ela suspirou ao ler o trecho, e a reação dela não me passou despercebida.
"Era exatamente o que queria provocar! Ponto pra mim".

" A realidade da colmeia: Na natureza, a rainha não é uma ditadora. Quem toma as decisões mais importantes do grupo — como a hora de mudar ou de abrir espaço para uma nova geração — são as abelhas operárias, de forma coletiva.
Na vida real, quando rola aquela faísca entre sogra e nora, o problema quase nunca é o "santo que não bateu". O buraco é mais embaixo. A sociedade joga nas costas das mulheres toda a responsabilidade pelo cuidado e bem-estar da casa. Quando o espaço parece pequeno para duas mulheres brilharem, a estrutura força uma competição que nem deveria existir em primeiro lugar.
Contradição 2: O desapego e o direito de voar
O maior clichê de todos: a sogra que não desapega do filho e vê a nora como uma "ameaça" que veio para desestruturar a família.
A realidade da colmeia: Sabe o que a abelha rainha antiga faz quando a colmeia fica cheia e uma nova rainha está para nascer? Ela não sabota a jovem. Pelo contrário! A rainha antiga junta metade do grupo e voa para fundar uma nova colônia, deixando a casa original prontinha e estruturada para a nova líder que está chegando.
Na biologia, maturidade significa entender que o crescimento da família não é uma perda de território, mas sim uma expansão do reino. Há amor, espaço e respeito para que as duas colônias existam e prosperem.
Contradição 3: A receita da "Geleia Real"
Existe um mito de que sogras guardam os segredos da família a sete chaves para manter o controle, e que noras não aceitam conselhos por puro orgulho.
A realidade da colmeia: Para uma nova rainha nascer, o grupo inteiro se une para alimentá-la com o melhor banquete possível: a geleia real. Elas gastam tempo e energia para fazer a nova integrante crescer forte. Elas não veem o sucesso da nova líder como uma ameaça, mas como a única garantia de que a família vai continuar viva e saudável no futuro.
Acolher a nora e dar a ela a nossa "geleia real" (afeto, espaço, validação) é o que garante que a história da família continue sendo escrita com harmonia e leveza.
Menos rivalidade, mais colmeia
O "Mito da Abelha Rainha" na vida familiar só serve para isolar as mulheres e criar barreiras onde deveria existir apoio. Quando sogras e noras se enxergam como rivais, todo mundo perde. Mas quando entendem que fazem parte da mesma colmeia — onde o papel de uma não anula o brilho da outra —, a estrutura inteira fica muito mais forte.
Não precisamos disputar o topo da mesa. A natureza nos ensina que há espaço para todas as rainhas voarem juntas.

Vamos conversar?
Agora eu quero saber de você que está lendo:
  • Você já sentiu, na pele ou vendo de fora, essa pressão invisível para que sogra e nora disputem o "trono" da família?
  • Como você acha que a gente pode quebrar esse ciclo e transformar essa relação em uma parceria de "geleia real"?
Deixe sua história e sua opinião aqui nos comentários! Vamos conversar!

— Quando pedi um texto sobre Dia das mães , eu esperava que viesse algo cheio de babados e jargões próprios desse dia. O que foi isso aqui ?
Não dei o braço a torcer .
— o que achou ? Está bom para o blogTrollados?
— Bem ..De fato , tem tudo a ver com a proposta do Blog...
Mas fala aí , isso foi uma indireta?
— Eu não dou indiretas , Cleise , me conhece há tanto tempo e ainda tem dúvidas ? Claro que foi uma direta , amiga!
Acho que passou da hora de você se posicionar nessa família.

20- Pingos nos is


Carla 

Agora que Mateus já tinha deixado o apartamento, Cléo tinha ido para o tal cliente inesperado e Paula , pra sorte de todos , foi embora antes que o veneno dela fizesse mas mal do que já tinha feito, imaginei que não poderia escapar daquela conversa.

E , de fato, entrei no quarto que seria do casal , e que agora estava ocupado apenas por Cleise, o Felipe, e tudo quanto é tipo apetrecho de bebê. 

Cleise colocou o filho adormecido no berço, sentou na cadeira de balanço e , com estudada formalidade, disse:
— Senta .
Sem outro lugar , sentei na beirada da cama .
Dependendo da situação, seria mais fácil para levantar e ir embora. Esperava que não fosse preciso.
Cleise que eu conhecia não faria isso.

Mas ela estava.. Diferente.
— Como foi na Baía?
" Mingau se come quente ! Por isso , começamos a comer pelas beiradas..."
Essa frase evasiva veio à mente. Respondi no mesmo tom: 
— Foi bom ficar lá. Mas é aquilo , mesmo tendo morado tanto tempo e parecer uma baiana de nascimento, sou mesmo carioca.
Sempre bom voltar pra casa . E o Rio é a minha casa .
— É...

 E,  depois de um tempo, quando ela  parecia estudar as palavras, continuou  :
— E o seu pai , Carlos, ele está melhor? Sei que o caso dele é complicado...
Mas como ele está ? E a tia Gisela , como está lidando com o Alzheimer do marido ?

— Não tem muito o que fazer.
Ele está na fase que  pergunta o que terá no jantar cinco minutos depois de ter ajudado a arrumar a mesa. Ele lembra com clareza de detalhes da infância, mas não lembra que o aconteceu na tarde anterior. 
Também já  vestiu  um casaco pesado em um dia de sol forte , imaginou que era inverno, como quando ele morou em outro país, anos antes de conhecer a mamãe ..ou esqueceu o caminho de volta da padaria da esquina.
— Que chato , Carla . E deve estar difícil custear o tratamento, né ?
— Eu até ajudo como posso, sabe ? Mas sou família. Não só posso como não devo cuidar dele ...não é ético .
— Entendo.
— Mas o dinheiro tem sido um problema– desabafou- Mamãe não sabe muito bem mexer com dinheiro, sempre foi o pai quem fez isso.
E agora ele , que sempre foi bom em finanças, começou a atrasar as contas ou se atrapalha ao calcular o troco. Vira e mexe descobrimos que ele não pagou uma conta porque tivemos algo cortado...
Ele ainda se confunde e chama a "caneta" de "aquela coisa de escrever" porque a palavra exata fugiu da mente...É tanta coisa ao mesmo tempo ...- disse, a frase sumindo aos poucos.

Cleise olhou para mim, com expressão pesarosa.

Mas ela também sentia que eu, sua amiga de infância, a quem conhecia tão bem como se fôssemos  irmãs, ainda queria chegar em algum lugar com aquela conversa toda, por mais que Cleise realmente quisesse saber dos meus pais.

— E quando foi que o Mateus entrou nessa história? - perguntou de supetão .
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Bingo! Como imaginei.
Brinquei com o bebê que estava acordado e mexendo braços e perninhas , como se pudesse realmente tocar o mobile .
Dei corda e começou a tocar "Berceuse"...
Ótimo fundo musical para acalmar os ânimos ! 😜
— Então ...ensaiei .
O que dizer agora ?! 
— Quando cheguei à Baia, a solidão voltou 
Tudo bem que havia a faculdade e tanta coisa pra estudar.
Mas ali não conhecia ninguém, e tudo era tão diferente do que lembrava ...
Eu nasci lá , afinal de contas ! E morei bastante tempo ...
Cresci lá . Mas quando cheguei , não tinha mais as referências que eu conhecia .
Lojas haviam fechados , outras abriram no lugar...
Lembra daquela vez que a gente quis ir à Oceano e o piano bar havia fechado ?

Claro que Cleise lembraria.
Foi quando reencontramos o Clayton depois de tantos anos , na fila da lanchonete nos esperando com aquele " ar Blasé", que me fazia lembrar do Olhar 43 , do RPM.

" E pra você ,
Eu deixo apenas 
Meu olhar 43, aquele assim.
Meio de lado, já saindo embora 
Louco por você , princesa"

Cleise ficou com olhar perdido , com certeza lembrando daqueles tempos felizes, muito mais calmos do que a maternidade  real , muito diferente do que costumam idealizar em sites e revistas especializadas .

Foram momentos especiais, regados a nascer do sol ao som do violão do Clayton. Eu também sentia falta deles...

Mas Cleise, sempre esperta, retomou o assunto principal:

— Agora vamos retomar você e o Mateus! Amiga, ele te traiu ! Como você perdoou isso?

Não tinha mais como evitar .
Abri os braços ,como dissesse abraçar o mundo...ou a mim mesma.

— Tudo que posso dizer é que eu me senti sozinha! Era tanta coisa acontecendo, em casa...
Eu não tinha um minuto de paz .

Saber a teoria é muito diferente de estar no meio do problema, Cleise.
A teoria se esvai quando a solidão bate.

Cleise olhou e me deu um sorriso cumplice . 

Como ela entendia o que significava solidão , pois estava cercada por pessoas e terrivelmente só.

— E como Mateus entrou na história?

— Era uma festa para os calouros, para comemorar o final daquele período.
Eu queria me enturmar , quem sabe ?! Então , reuni coragem e fui.

Havia veteranos por lá , não só do curso de  Psicologia ,como também veteranos , tanto de Psicologia quanto de outros cursos
.
Por coincidência, Mateus estava fazendo pós-graduação lá na faculdade, e também foi à festa. 

— Sozinho?

— Claro né ! - ri - sou doida mas não sou louca!

Cleise riu também. Eu tinha uns ditados muito meus , e Cleise sempre os achou divertido.
Eu tinha saudade de ver Cleise sorrindo .
" Pensando bem...Ainda não tinha visto Cleise sorrir desde que cheguei. Isso é estranho..."

—... E olha que nem é escritora , que fiz  faculdade de jornalismo! 

Perdi o fio da meada pois estava perdida em pensamento. Então fiz um providencial:
— Humhum!

E emendei um assunto antes que ela percebesse que divaguei e não ouvi uma palavra do que disse: 

— Ele se aproximou . Eu tinha bebido um pouquinho mais ,sabe como é. Quando eu o vi parece que tudo voltou , foda- se o bom senso! Quando dei por mim, a gente estava se beijando!

— E depois? – Ela falou baixinho porque Felipe resmungou no berço, para que ele continuasse dormindo.

— Depois a gente teve que conversar. Foi inevitável colocar os pingos nos is...
— E ele ?
— Ele pediu perdão .
Na boa, Cleide  ? O que eu tinha a perder né?
Fui curtir um pouco. Confesso que,no início , eu o estava usando e,  provavelmente, ele fazia o mesmo !

Eu queria sair da solidão e ele, queria ter uma garota para desfilar para os amigos .

Eles já estavam na casa dos 30 anos,né ?
A maioria ali,  ou estava noivo, ou casado - embora as puladas de cerca também aconteciam...é claro ! Mas isso é um outro assunto...

O que importa é que a gente se acertou e ao longo dos meses ele se mostrou mais maduro, mais amigo... Principalmente quando a barra lá em casa passou a pesar demais .

— Entendi...Isso entendi. Mas precisava ficar noiva dele ? De novo, amiga?!

—Olha, amiga...Não tenho explicação. A não ser que eu o amo, e estou apostando que vai dar certo...dessa vez.

Cleise , sem que desse conta do que fazia, desviou o olhar em direção ao quarto , transformado eu ateliê.

— Eu também, Carla ! 

Carla e Cleise se abraçaram , tendo aos pés de Cleise o fiel cão Akira, que também retornara para a casa dele pois ,onde quer que Cleise estivesse, ali era o seu lar.